Megaoperação mira esquema no setor de combustíveis em Itupeva e região
Mais de 300 postos em todo o país estariam abastecidos com combustíveis adulterados com metanol importado irregularmente.
Uma força-tarefa nacional mobilizou, na manhã desta quinta-feira (28), cerca de 1.400 agentes para cumprir mandados de busca, apreensão e prisão em oito estados, incluindo São Paulo, visando desarticular um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis suportamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Na região de Itupeva, quatro mandados foram cumpridos, sendo um na cidade e três em Jundiaí, envolvendo pessoas físicas e empresas do setor.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, o grupo é responsável por sonegar mais de R$ 7,6 bilhões em impostos. As investigações apontam ainda crimes como adulteração de combustíveis, fraudes fiscais, lavagem de dinheiro, estelionato e danos ambientais. Mais de 300 postos em todo o país estariam abastecidos com combustíveis adulterados com metanol importado irregularmente.
Os investigadores também identificaram que o esquema era financiado por fintechs controladas pelo crime organizado, responsáveis por movimentar cerca de R$ 30 bilhões. Esses recursos teriam sido usados para a compra de postos, caminhões, usinas de álcool, fazendas e imóveis de luxo.
Para o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, as ações foram “as maiores da história contra o crime organizado”. Ele ressaltou que os resultados são fruto da cooperação entre diferentes órgãos, reforçando a importância da PEC da Segurança Pública, atualmente em tramitação no Congresso Nacional.
A proposta de emenda à Constituição (PEC 18/2025) estabelece a coordenação federal de ações contra o crime organizado que integrem as polícias estaduais, as forças de segurança da União, órgãos de controle financeiro e fazendário, além do Poder Judiciário nos três níveis de governo. Caso seja aprovado, o texto representará uma das maiores reformas do setor nas últimas décadas.